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Organização que explorava jogos ilegais foi desmantelada
Prisões realizadas após 15 meses de investigações Oito delegados e 29 militares, até mesmo de altas patentes, são suspeitos de integrar o esquema Oito delegados – dois da Polícia Federal e outros seis da Polícia Civil de Goiás – estão entre os investigados da Operação Monte Carlo, deflagrada ontem, depois de 15 meses de investigação. Além dos delegados, 3 tenentes-coronéis, 1 major, 1 capitão, 2 sargentos, 4 cabos e 18 soldados da Polícia Militar goiana são suspeitos de integrar quadrilha que explora jogos de azar. Por causa das suspeitas, o comandante do Policiamento da Capital (CPC) da PM, coronel Sérgio Katayama apresentou-se à Corregedoria da PM e logo depois colocou seu cargo à disposição do comandante-geral, coronel Edson Costa Araújo. De acordo com fontes ligadas a Polícia Federal, os dois delegados da instituição são Fernando Bayron e Deuselino Valadares. Nenhum dos dois permanece preso. Deuselino apresentou-se no fim da manhã, teria sido ouvido e liberado. A assessoria de comunicação da Polícia Federal do Distrito Federal informou que o envolvimento dos delegados federais no esquema é o de vazamento de dados sigilosos para integrantes da quadrilha. Entre os delegados da Polícia Civil goiana está o corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública e Justiça, Aredes Correia Pires (veja todos os nomes no quadro) . Os delegados e os cinco oficiais da PM suspeitos de envolvimento na quadrilha, confome a investigação da PF, receberiam propinas semanais e mensais para dar proteção aos exploradores dos jogos de azar, passar informações sobre ações de fiscalização e das polícias. Os delegados e os oficiais, conforme a PF, chegavam a receber R$ 4 mil por mês, enquanto os de menor patente, como soldados, recebiam diárias que variavam entre R$ 180 e R$ 200. Sargentos recebiam R$ 300. Quanto maior a patente, maior a propina. Ainda são investigados 1 major, 1 capitão, 2 sargentos, 4 cabos e 18 soldados da PM goiana, e 1 sargento da PM do DF. A assessoria da PF no DF informou que seis casas onde funcionavam caça-níqueis – duas na capital e quatro em Valparaíso – foram fechadas. A PF acredita que mais de 200 casas de caça-níqueis funcionavam em Goiás, Espírito Santo, Tocantins, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Estima-se que em apenas seis meses a movimentação financeira das seis casas fechadas ontem chegue a mais de R$ 3 milhões. Todos os suspeitos podem ser indiciados por corrupção ativa e passiva, contrabando, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, peculato, violação de sigilo, formação de quadrilha, além da contravenção penal de exploração de jogo de azar. Um alto funcionário da Polícia Civil goiana contou que o delegado Niteu Chaves Júnior, do 2º Distrito de Luziânia, foi preso em flagrante, com um revólver com a numeração raspada na casa dele. A PF confirmou a prisão em flagrante de um delegado pelo crime, mas não confirmou o nome dele. O inquérito segue em segredo de Justiça. Operação liga Carlinhos Cachoeira a policiais
Organização teria atuado durante 17 anos, com envolvimento de delegados, policiais militares e federais Carlinhos Cachoeira foi preso ontem em Goiânia, suspeito de chefiar uma organização que explorava jogos do bicho e caça-níqueis em Goiás, Distrito Federal e mais três Estados. Esquema teria participação de 80 pessoas Oito anos após ter seu nome envolvido no escândalo que culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o goiano Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, voltou ao noticiário nacional. Ele foi preso ontem em Goiânia, durante Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF) suspeito de chefiar uma organização que explorava jogos do bicho e caça-níqueis em Goiás, Distrito Federal e mais três Estados. O esquema, segundo a PF, funcionava há 17 anos e contava com integrantes das Polícias Civil e Militar goiana, além da própria Polícia Federal. Ao todo, 80 pessoas estariam envolvidas com organização. Entre eles estão o ex-presidente da Câmara de Goiânia, Wladmir Garcez Henrique, oito delegados - dois da Polícia Federal e outros seis da Polícia Civil de Goiás, além de três tenentes-coronéis, um major, um capitão, dois sargentos, quatro cabos e 18 soldados da PM goiana. Hábitos simples em Anápolis Anápolis - O empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, nasceu em Anápolis, onde ainda mora a maior parte de seus familiares - pais e irmãos. Apesar de não viver mais na cidade, Cachoeira continua sendo uma pessoa querida na comunidade, tanto que sempre que está em Anápolis costuma reunir os amigos na chácara de um dos seus irmãos, localizada nas proximidades do bairro de Lourdes, na região leste da cidade. A Polícia Civil investiga ainda ligações da organização com políticos. Carlinhos Cachoeira foi preso ontem em Goiânia, suspeito de chefiar uma organização que explorava jogos do bicho e caça-níqueis em Goiás, Distrito Federal e mais três Estados. Esquema teria participação de 80 pessoas Jogatina era protegida pelo aparato do Estado
Policiais faziam operações falsas, proteção a casas de jogos e combate a grupos rivais a Cachoeira Máquinas caça-níqueis apreendidas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo Uma organização criminosa altamente sofisticada e que esbanjou sucesso nos negócios por quase duas décadas graças à proteção do braço forte do Estado. Assim pode ser classificada a quadrilha comandada pelo empresário do jogo do bicho Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, desarticulada ontem na Operação Monte Carlo, desencadeada após investigação presidida pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) e a Polícia Federal no Distrito Federal (PF-DF). O bicheiro, pivô do primeiro escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficou conhecido ao aparecer em vídeo supostamente oferecendo propina a Waldomiro Diniz, homem de confiança do então ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, que caiu após a denúncia. A principal marca desse grupo era, segundo a polícia, a proteção do Estado nas operações criminosas. A megaoperação foi desencadeada em quatro Estados e no Distrito Federal. Com Cachoeira, 31 pessoas foram presas - 9 delas em Goiás. Pelo menos 80 pessoas teriam envolvimento com o esquema criminoso. Entre os investigados detidos, o ex-vereador e presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladmir Garcez, dois delegados da Polícia Federal de Goiás, seis delegados da Polícia Civil Goiana e 29 integrantes da Polícia Militar do Estado de Goiás (veja reportagem na página 6). Segundo os procuradores do MPF-GO, Daniel de Resende Salgado, Lea Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira, os agentes públicos eram responsáveis por desenvolver “pseudo-operações de neutralização dos jogos do bicho para dar a sensação de que havia funcionamento das instituições policiais.” E ia além: aos integrantes do sistema de Segurança Pública em Goiás caberia até o combate a grupos rivais de Cachoeira, levando à cartelização do jogo. Em troca, o pagamento de propina, cujo valor variava com a função do agente público ou a patente do militar, por exemplo. Segundo os investigadores, um soldado de folga ganhava em média entre R$ 180 e R$ 200 para fazer a segurança das casas onde as máquinas caça-níqueis eram operadas. “O sargento ganhava mais. O delegado da Civil recebia R$ 4 mil mensais em média”, afirmou ontem o procurador Daniel Salgado, durante entrevista concedida na sede da PF em Brasília. “Houve tentativa de investigação em 2006, mas as informações sempre vazavam. Houve até a ‘ocagem’ de máquinas antes de uma das operações contra o grupo - as máquinas são ‘limpas’, permanecendo só a carcaça. Quando uma organização criminosa passa a se infiltrar no Estado, ele fica vulnerável”, acentua. Das 31 prisões realizadas dentro da Operação Monte Carlo, 9 foram em Goiás e 19 no Distrito Federal. Houve também uma prisão em cada um dos Estados do Tocantins, Rio de Janeiro e Espírito Santo e a apreensão de 200 máquinas caça-níqueis em duas casas de Goiânia e em quatro de Valparaíso de Goiás, no Entorno do DF, além de R$ 180 mil em dinheiro. As investigações ainda não apontam para o faturamento da quadrilha, mas apenas uma das casas geraria lucro líquido de mais de R$ 3 milhões mensais.
Participação de políticos será apurada A Operação Monte Carlo, segundo os procuradores da República em Goiás, está longe do fim. Numa segunda fase dos trabalhos, a investigação deve se concentrar na identificação de suposto envolvimento de políticos com a máfia dos caça-níqueis. As suspeitas, mais uma vez, recaem para a possibilidade de o lucro da jogatina estar sendo utilizado no pagamento de despesas de campanhas de candidatos de vários partidos políticos. Essa investigação, no entanto, será comandada por autoridades que têm competência para este tipo de atuação - em caso de foro privilegiado, apenas o procurador-geral pode desencadear investigações dessa natureza. Os presos na Operação Monte Carlos devem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, facilitação ao contrabando, contrabando, violação de sigilo, lavagem de capitais, peculato e formação de quadrilha. Polícia faz busca e apreensões na Delta A Delta Construções S.A. foi um dos alvos das buscas e apreensões da Operação Monte Carlo. Policiais federais recolheram documentos no escritório da empresa em Goiânia, localizado no Edifício New Business Style, na Avenida Jamel Cecílio, Jardim Goiás. O diretor da empresa, Cláudio Abreu, diz não ter conhecimento dos fatos. Enquanto a Polícia Federal (PF) de Brasília recolhia a papelada na empresa, o diretor prestava depoimento na sede da corporação. Um dos detidos na operação, o ex-presidente da Câmara de Goiânia Wladmir Garcêz, disse em depoimento que é representante comercial da Delta há seis anos e que possui renda de R$ 10 mil. No fim do dia, já no escritório da empresa, Abreu negou a informação. “Ele não representa a empresa.” O diretor regional confirmou ser amigo pessoal de Garcêz, mas insistiu não haver vínculo do ex-vereador e ex-secretário de Estado do Trabalho (entre 2003 e 2004) com a empreiteira envolvida em suspeitas de irregularidades. A mais recente envolve a contratação de caminhões de coleta de lixo em Goiânia, que possui frota própria. Caso semelhante aconteceu em 2009. A Delta participou também do consórcio que venceu a licitação para fornecer fotossensores instalados nos semáforos da capital. A concorrência foi realizada em 2005 e só concluída em 2009. O processo se arrastou devido a questionamentos das outras proponentes, que se sentiram prejudicadas. O Ministério Público do Estado de Goiás (MP) também fez questionamentos relacionados a este caso. A empresa também está envolvida em procedimentos questionados em Palmas (TO). O MP daquele estado denunciou por improbidade administrativa representantes da empresa e da prefeitura de Palmas na celebração de um contrato para limpeza urbana. Coronel Katayama deixa cargo Ex-comandantede policiamento na capital diz que afastamento dará maior transparência a apurações Com apenas nove meses no comando de policiamento da capital, o coronel Sérgio Katayama entregou na tarde de ontem o cargo na sede da Polícia Militar de Goiás, após ser apontado pela Operação Monte Carlo como um dos integrantes da máfia dos caça-níqueis. Em seu lugar, assumiu o tenente-coronel Márcio Queiroz. “Não tenho conhecimento das acusações nem sei quando vou ser ouvido, mas estou pronto para responder à Justiça”, afirmou Katayama. O coronel soube, na corregedoria-geral da corporação, que seu nome estava incluído na lista de acusados, e alegou não ter nenhum envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suposto comandante do esquema. “Senti espanto, a surpresa é enorme e a vergonha é muito grande perante os meus familiares, amigos e a sociedade goiana”, lamentou. Segundo ele, o cerco aos pontos do jogo de azar em Goiânia não foi prioridade em sua gestão, mas apenas o “combate ao crime e à violência”. “Não podemos perder tempo com aqueles que, por opção, vão fazer essa jogatina. Se fosse denunciado, todo procedimento legal iria ser tomado, mas só iria agir se houvesse denúncia”, salientou, assegurando que todas as denúncias foram encaminhadas às delegacias para que houvesse as apreensões. “Nosso foco não era combater contravenções.” Ele frisou que não sabe se policiais militares seriam responsáveis pela segurança do empresário. Enquanto seguem as investigações, o oficial deve cumprir seu expediente na Polícia Militar, mas em lotação ainda indefinida. Ele ressaltou que entregou o comando com a expectativa de haver “transparência nas apurações”. “Não podemos perder tempo com aqueles que, por opção, vão fazer essa jogatina. Se fosse denunciado, todo procedimento legal iria ser tomado, mas só iria agir se houvesse denúncia”. Coronel Sérgio Katayama “”Nunca fiz negócio nenhum com ele. Não sei o que ele faz da vida, no que trabalha ou deixa de trabalhar.” Alexandre Baldy, secretário da Indústria e Comércio, sobre Carlos  Fonte: O Popular Confira também a lista completa com alvos da operação no DM |