Segurança e competitividade

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A divulgação do Ranking de Gestão e Competitividade dos Estados Brasileiros, pelo POPULAR, dia 19, comprovou, com números, uma situação que sabemos na prática e intuitivamente: sem segurança pública não há competitividade, o Estado para, nada avança. Goiás caiu uma posição, de nono para décimo no levantamento, feito pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) em parceria com o Centro de Liderança Pública (CLP) e a Tendência Consultoria (TC). O resultado frustrou as expectativas do governo, que esperava um quadro positivo, mas reflete exatamente a situação para a qual temos chamado a atenção de toda a sociedade. Isso porque, de acordo com os pesquisadores, o que pesou negativamente no desempenho de Goiás foram dois fatores: segurança pública e infraestrutura.

Os números são importantes, mas, mais importante ainda, são as pessoas. A falta de investimentos em segurança pública mostra que o Estado não está olhando para elas. A segurança pública, infelizmente, é hoje o setor em que a sociedade mais vê necessidade de ações por parte do poder público. A insegurança é fruto de várias ações que deixaram de ser feitas no passado, ao longo dos anos e por vários governantes, sobretudo em educação. O resultado é que hoje somos uma sociedade desigual, que segrega as pessoas de baixa renda em bairros sem infraestrutura básica, sem ações básicas para a juventude, como esportes, educação e lazer, criando bolsões de pobreza e violência.

Por tudo isso, a sociedade hoje clama por segurança pública. Mas o que vemos são gestores cometendo os mesmos erros do passado. Goiás é um dos Estados que mais crescem no cenário econômico, mas caiu no ranking de competitividade . É preciso ficar claro que investir em segurança não é apenas adquirir viatura. Trata-se de uma cadeia. É preciso investir em prédios, móveis, computadores, recursos e inteligência, e, acima de tudo, em pessoal. E isso não tem sido feito.

Temos um déficit imenso na Polícia Civil, de mais de 3 mil servidores. Em 1998, éramos mais de 6 mil homens e mulheres. Hoje, somos 3.527, contando os delegados de polícia. A situação torna-se ainda mais alarmante quando consideramos que 17 anos atrás Goiás tinha 4 milhões de habitantes. Agora, tem cerca de 7 milhões. Entre 2006 e 2015, a demanda na Polícia Civil aumentou em mais de 400%.

A violência não para de crescer. Hoje, para atender bem a população, o contingente da Polícia Civil deveria ser de 10 mil servidores, mas o que vemos é só redução. Na Polícia Militar também há déficit. A corporação, que já teve mais de 15 mil policiais, hoje conta com 12 mil. Não se investe em estrutura e muito menos em pessoal.

O governo entregou recentemente uma das mais avançadas Academias de Polícia Civil do País, em Goiânia. Mas não há ninguém para ser treinado. Temos hoje o 18º salário entre as polícias civis brasileiras. Com o descumprimento, por parte do governo, do acordo para a correção de perdas salariais, seremos uma das polícias mais mal pagas do País. Deveríamos receber a parcela de 12,33% nos salários de novembro, mas o governo já anunciou que não cumprirá as leis sancionadas por ele próprio.

Que incentivo seus homens e mulheres, que já trabalham por três, terão para continuar trabalhando se nem as perdas salariais negociadas serão pagas? Na época da negociação, pleiteávamos receber 60% do salário de um delegado. Hoje essa proporção é de 26,96%. Para completar, a Polícia Civil está doente. Temos agentes e escrivães com problemas psicológicos, Síndrome de Burnout (esgotamento total), escrivães com lesões por esforço repetitivo, porque trabalham além da carga suportável.

Como querer que Goiás cresça no ranking nacional de competitividade, que atraia negócios e grandes empresas, se não vai garantir segurança para os empresários e seus funcionários? Enquanto Goiás for um dos Estados mais violentos do País, será difícil reverter essa situação.

Paulo Sérgio Alves é presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás.

Fonte: O Popular

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