Idosos estão entre as principais vítimas de criminosos

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Dia 1 de outubro é considerado o Dia Internacional do Idoso. Mas ser idoso no Brasil não é uma tarefa fácil. Pessoas acima de 60 anos estão entre os principais alvos de bandidos. Somente este ano, de janeiro a agosto, a Delegacia do Idoso, em Goiânia, registrou em média 72 ocorrências mensais. Em sua grande maioria, são casos que expõe a perigo a saúde física e mental da pessoa. Sem falar dos golpes registrados na Deic, onde idosos são vítimas fáceis de criminosos. Destaque para o “Golpe do Novo Número”, em que bandidos se passam por parentes, com objetivo de conseguir dinheiro fácil.

“A verdade é que a gente não sabe lidar com o idoso dentro de casa”. A avaliação é do delegado Manoel Vanderic que está há 9 anos à frente da Delegacia Especializada de Atendimento ao Idoso de Anápolis (DEAI). Esse seria o motivo para tantos crimes contra pessoas maiores que 60 anos. 

Desde que a pandemia do coronavírus começou, em março de 2020, os crimes contra idosos cresceram cerca de 70%. “Os adolescentes e a geração de adultos pararam de ir pra faculdade, escolas e começaram a conviver com idosos. Aí desencadeou essa violência psicológica, os maus tratos”, avalia o delegado. Para ele, o isolamento chegou de pretexto para justificar o abandono material e o fenômeno “velhice” é ainda recente na consciência coletiva. 

A grande peculiaridade da violência doméstica contra o idoso é o vínculo afetivo entre vítima e agressor. E esse fato traz um sofrimento ainda maior para a vítima. De acordo com a polícia, é comum ver o idoso tirar dinheiro da própria aposentadoria para pagar advogado para o agressor, que geralmente é um filho ou um neto. Na DEAI de Goiânia, em cerca de 80% das ocorrências os parentes são aqueles que praticam a violência. Alexandre Alvim, delegado titular da DEAI da capital elenca os crimes mais comuns: maus tratos, abandono e exploração financeira. “O benefício que esse idoso recebe ter se tornado a única fonte de renda dos familiares, já é um motivo de atrito ou mesmo a convivência rotineira, o stress, a demanda que esse idoso tem. Tudo isso gera problemas familiares, culminando com esses crimes”, conta o delegado.

Viés social
Em Anápolis, a Delegacia Especializada de Atendimento ao Idoso recebe de 10 a 15 casos por dia, mas grande parte são de situações alheias à competência da polícia e que não envolvem crime. São questões sociais como idosos que vivem em situação de vulnerabilidade, mas não tem um filho ou um responsável. Ou que a família pede ajuda porque o idoso não aceita morar com parentes ou recusa um tratamento. “Então, a delegacia acabou virando um órgão não só de punição, mas de orientação e assistência. E quando foge da nossa competência, nós fazemos o encaminhamento”, explica Vanderic.

Estatuto do Idoso
A lei que trouxe mais direitos aos maiores de 60 anos completa no dia primeiro de outubro a maioridade. Há quase 18 anos, o Estatuto do Idoso foi criado trazendo conceitos como a prioridade no atendimento, garantias fundamentais, incentivo a políticas públicas, majoração de crimes e tipificação de outros como discriminação em razão da idade.


Telefones para denúncias:

DEAI Goiânia: (62) 3201-1501
DEAI Anápolis: (62) 3328-2736
Polícia Civil: 197

(Assessoria de comunicação: jornalistas responsáveis Geovane Gomes e Sarah Maia. Telefone: 62 9 9640-8679)

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