Dia Internacional da Mulher 2022

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Dia Internacional da Mulher: a coragem da mulher policial civil

O Dia Internacional da Mulher é uma data histórica muito associada a flores, chocolates e elogios. Mas que na verdade é carregado de muita luta por espaço e respeito. Na polícia civil de Goiás, são 1113 mulheres, 33,34% do total do efetivo. Destas, 814 filiadas ao Sinpol Goiás. Para homenageá-las, selecionamos quatro profissionais que enxergaram na polícia uma carreira promissora, passaram por cima de preconceitos e se tornaram referência para colegas de profissão.

São elas: a papiloscopista Bruna Daniella de Souza Silva; a agente de polícia Mônica de Carvalho Luna Valverde Morais; a ex-escrivã e delegada Jocelaine Braz Batista; e a auxiliar de autópsia Eliete Ribeiro de Sousa Jacson.

Mas a Bruna? “A Bruna sim!!!!!”

Ela ouviu muuuito essa frase nesses 11 anos de Polícia Civil. Bruna entrou na Polícia Civil no 1º concurso para Papiloscopista, quando somente 23 pessoas foram aprovadas. Oito eram mulheres. Teve um início de carreira desafiador ao participar das primeiras operações e, junto das outras papiloscopistas, precisam identificar presos. Ela acredita que os colegas estavam pensando “será que ela vai dar conta?” e “e se o preso reagir?”.

Já passou pela experiência de ver que o chefe dividindo as tarefas entre homens e as mulheres, para que elas se ocupassem dos “serviços mais leves”. Mas também teve chefe que comprou a briga e a tratou de igual para igual. Um dos desafios, e sem dúvida maiores conquistas, foi participar dos cursos que eram direcionados para o público masculino, como o de “Adentramento de Alto Risco” e compor os treinamentos da Academia.

Bruna Daniella De Souza Silva, Papiloscopista

Foi essa força feminina que fez com que ela nunca pensasse em desistir da carreira. Pelo contrário. Ela integrou um treinamento com arma não letal da Força Nacional. Uma vez, quando era a única mulher da equipe, o delegado a escolheu para o adentramento. Um colega questionou e o delegado respondeu: “A Bruna está na equipe, e porque não pode ser ela?”
A Bruna, siiiiim, Doutor!!!!!!!

“É uma luta diária e tenho vencido com êxito e orgulho”

“Ser policial era o meu grande sonho “

Antes de viver a adrenalina de uma delegacia, Mônica atendia pacientes em seu consultório odontológico, mas ela sentia que queria mais. Em 2005, com 46 anos de idade, ingressou na Polícia Civil com um número expressivo de mulheres e foi lotada na Denarc onde considera que foi muito bem acolhida.

Nos locais onde trabalhou nunca enfrentou problemas para ser “recebida” e é muito grata às primeiras equipes de trabalho. “Alguns se tornaram irmãos”, comenta. Ela diz que aprendeu muito trabalhando com policiais mais experientes e que não teve dificuldade para se adaptar ao trabalho em equipe e muito menos num ambiente predominantemente masculino.

“A vida policial me mostrou e trouxe vivência que nenhuma outra profissão poderia me proporcionar”

A maior dificuldade foi o choque de realidade no início da carreira, mas jamais pensou em desistir. “Ser policial era meu grande sonho. A gente trabalha duro, mas quando a gente gosta daquilo que faz, o trabalho não é difícil.” E arremata lembrando que mesmo com essa rotina exaustiva, tem momentos de alegrias e de muito companheirismo com as equipes com as quais já trabalhou.

Hoje, aos 63 anos, Mônica lotada na DOT – Delegacia de Crimes contra a Ordem Tributária e apta a se aposentar .

“Nasci para ser policial”
A delegada Jocelaine entrou como escrivã na Polícia Civil em 1999 e tomou posse no ano seguinte. Eram muitas mulheres na turma porque era um cargo bastante ocupado por mulheres. Ela acredita que, por causa disso, não enfrentou resistência por parte de colegas e nem teve dificuldade de se adaptar.

Sentiu diferença quando fez o concurso para Delegados em 2014. E passou. Eram poucas mulheres, nem 30% da turma, mas ser mulher também não foi impedimento nenhum.
Ela acredita que as primeiras mulheres a ingressarem na carreira é que tiveram dificuldades e enfrentaram preconceito. “Agora não, muitas mulheres ocupam os espaços que almejam na nossa Instituição”. Ela é prova disso.

Jocelaine quando trabalhava como escrivã
“Nunca pensei em desistir da Polícia Civil, nasci para ser policial” “Nunca pensei em desistir da Polícia Civil, nasci para ser policial”

“O aprendizado tem que ser contínuo”

A Eliete entrou em 2004 na Polícia Civil e da turma de 30 pessoas, 12 eram mulheres. Mesmo com esse efetivo de 40%, percebeu que as mulheres eram preteridas. Ela lembra que no início os colegas escolhiam seus parceiros por gênero, mas logo perceberam que as mulheres possuíam técnica e conhecimento que ajudavam mais no trabalho do que a força de um homem. “E passaram a entender que o que faz o seu parceiro ser bom não era o gênero, mas a competência”, comemora.

“No curso de formação, durante uma aula pratica de autópsia, as mulheres que mantiveram o autocontrole diante da cena, tiveram que socorrer o maior homem da turma que desmaiou e não terminou de assistir”, revela. Sem risos.

Eliete trabalhava como atendente em farmácia e ao ingressar na corporação se encantou. “A polícia hoje lida com muito conhecimento e as pessoas buscam isso, o que me alegrou muito porque uma coisa que eu gosto é poder aplicar esse conhecimento ao trabalho”, argumentou. Em uma das fotos ela segura um Certificado concedido pela Secretaria de Segurança Pública por bom desempenho de trabalho.

“Passaram a entender que o que faz o seu parceiro ser bom não era o gênero, mas a competência.”
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