segunda-feira, julho 22, 2024

Artigo – Prender e empreender por Renato Rick

Não é surpresa para ninguém que a Polícia Civil de Goiás possui em seus quadros investigadores qualificados e experientes. Os policiais civis goianos ostentam hoje índices de resolução de casos de homicídios comparados aos níveis de grandes países europeus. Entre 2020 e 2021, por exemplo, a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios apresentou dados que apontam 90% de resolução de casos de homicídio, obtendo um extraordinário aumento de 252% na resolução desses crimes.

O mesmo ocorreu com relação aos furtos e roubos de veículos, principalmente, na capital. A redução de roubo de veículos foi de 81%, de 2018 a 2021, enquanto a recuperação do veículo furtado/roubado ficou em 70%; e, ao passo que, a resolução aumenta significativamente ano após ano. O cometimento desses crimes continua sendo reduzido, como apontam os últimos dados de 2023, obtidos no Observatório de Segurança Pública de Goiás.

E todo esse cenário é aplicado para a redução e repressão a outros crimes violentos, bem como roubo de cargas, latrocínio, roubo a bancos, etc. O resultado de uma boa investigação quase sempre termina com uma prisão. Essa repressão é fundamental para a resolução dos casos e por consequência resultará na diminuição dos crimes. É exatamente em razão disso, que aqui coloco: os policiais civis são verdadeiros especialistas em prender.

Todavia, estamos diante de um problema muito sério: falta valorizar o policial civil. Isso tem provocado um fenômeno paralelo. Esse profissional, expert em prender, também está se tornando especialista em empreender. Devido às grandes perdas salariais nos últimos anos e com enorme declínio na de qualidade de vida, os policiais civis estão sendo obrigados a encontrar novas fontes de renda e com isso alguns policiais estão se especializando em mercado financeiro, bolsa de valores, agropecuária, comércio varejista, marketplace, corretagem de imóveis e, até mesmo, segurança privada. É o tal do “bico” policial.

Mas isso não decorre, unicamente, da vontade do policial. O principal responsável é o Estado, que não valoriza esse profissional, tão dedicado à segurança pública. Todos os policiais com os quais tenho conversado são categóricos em afirmar: só estão fazendo esses “bicos” porque já não conseguem mais sustentar suas famílias apenas com o seu salário.

Relatam a necessidade de complementar a renda para manter uma qualidade de vida aceitável. Em consequência disso, temos visto o aumento de policiais endividados, adoecendo com maior frequência, pois se utilizam de horário de folga para trabalhar em outros locais, quando deveriam optar pelo descanso e lazer. Cabe ao governo se sensibilizar com o trabalho que vem sendo desenvolvido pela nossa categoria em prol da segurança pública.

E, assim como reconhece publicamente o primoroso trabalho e dedicação desses profissionais, deve também valorizá-los e lembrar que só elogio não enche a barriga de ninguém. Nenhum policial faz “bico” porque quer. Se o fazem, é porque estão submetidos a dificuldades financeiras; não encontram outra maneira de arcar com suas responsabilidades em casa, uma vez que seus proventos já não são suficientes para manter um padrão de vida aceitável, como tinham em tempos não muito distantes.

Renato Rick é presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol-GO) e agente da Polícia Civil

https://opopular.com.br/opiniao/artigos/prender-e-empreender-1.3097271

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