“Um sonho que realizo todos os dias”

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O agente de polícia Raimundo Lopes de Araújo, lotado na Central de Flagrantes da Polícia Civil do Estado de Goiás (PC-GO), desde janeiro de 2016 já vivenciou todo tipo de investigação criminal ao longo dos 32 anos que atua na segurança pública de Goiás. Só em 2020, Raimundo auxiliou duas mulheres a recuperarem seus cachorrinhos de estimação, que foram furtados. O mais recente é o caso da cadelinha Flor, que foi forçada a entrar no carro de um desconhecido. “Nesse caso, recebemos uma ligação [na Central de Flagrantes] de uma pessoa contando que seu cachorrinho tinha saído de casa e não voltou mais”, explicou Raimundo. Com o sumiço da Flor, sua tutora distribuiu cartazes no bairro onde mora e, depois de três dias, acabou recebendo uma ligação em que uma pessoa informava que teria visto uma senhora correndo atrás de uma cachorrinha idêntica à da foto. Esse fato motivou a tutora de Flor a procurar a Polícia.

Em seguida, Raimundo instruiu que a mulher fosse pessoalmente à Delegacia e, com a confirmação da denúncia, foi registrada a ocorrência. A Polícia Civil iniciou, então, a investigação, agora com as informações da placa do veículo que teria levado a Flor. A proprietária do veículo foi identificada e o agente de polícia entrou em contato para averiguar se ela realmente teria levado a cachorrinha. “No primeiro momento, ela negou tal informação e repassou o telefone para seu marido, que de imediato se identificou como advogado”, e continuou: “Expliquei para o marido que a esposa tinha sido flagrada pelas câmeras, correndo atrás da Flor, a forçando a entrar no veículo. Falei também que tínhamos testemunhas que presenciaram o fato”, relembrou Raimundo. Da mesma forma, o marido negou as informações.

Mas assim que o agente informou que poderia mostrar as imagens e que a Flor era de uma criança, que estava sofrendo com o sumiço da cadelinha, o homem confirmou o fato. O marido ainda disse ao agente de polícia que teria gasto R$ 370 com consulta veterinária e exigiu comprovante de que Flor teria tutores, assim como a tutora exigiu comprovante dos gastos com a cadela. Diante disso, a devolução ficou marcada para o dia seguinte. “Quando chegaram à residência e Flor viu a criança, a cadela ficou totalmente descontrolada nos braços da mulher. Ela até dispensou o comprovante de propriedade da Flor”, disse Raimundo.

Princesa

O outro caso de recuperação de animal doméstico ocorreu em meados de fevereiro deste ano. Segundo a ocorrência, a cadelinha com o nome de Princesa saiu pelo portão da casa sem que a família percebesse. Ao notar a ausência da cadela, os tutores distribuíram cartazes por todo o bairro em que moram e acabaram recebendo uma ligação de alguém que tinha encontrado a Princesa. “Eles pediram R$ 100 para devolver [a cadela]. Desesperada, a proprietária aceitou a proposta e combinou de pagar o valor exigido para recuperar sua cadela”, contou Raimundo. No entanto, ao chegar ao local na data e horário marcados, a pessoa que estaria com a Princesa não apareceu. Em seguida, a tutora recebeu outra ligação, em que a pessoa exigia agora o valor de R$ 300. Remarcada a devolução da Princesa após aceitar novamente a proposta, a pessoa que deveria entregar a cadela não apareceu de novo.

Chorando e desesperada, a tutora foi até a Central de Flagrante. “No momento que estava sendo feito [boletim de] ocorrência, a pessoa ligou exigindo agora o valor de R$ 500 para a devolução. Foi aí que atendi o celular e de imediato me identifiquei para a pessoa”, e completou: “Informei que sua ligação tinha sido rastreada e estávamos reunindo duas equipes de policiais para ir ao endereço e fazer a prisão, pois era crime o que ela estava fazendo”. Ainda na ligação, a pessoa ficou nervosa e confessou que realmente estava de posse do animalzinho. Em seguida, ela garantiu que faria a devolução da Princesa. Já na Central de Flagrantes, o advogado da família entregou a cadela para a verdadeira tutora.

Outras ocorrências

Entre os diversos casos que chegam à Central de Flagrantes durante o plantão de Raimundo Lopes está o episódio de uma criança de três anos, que foi encontrada sozinha e machucada andando de madrugada nas ruas do Setor Santa Fé, em Goiânia. O caso ocorreu no dia 10 de junho de 2019. A criança foi encontrada por um motoristade transporte de aplicativo e pela passageira, que redirecionaram a corrida para a Central de Flagrantes. Raimundo destaca que foi preciso ajuda da Polícia Militar para localizar os pais da criança, que – quando identificados – foram encaminhados à Delegacia. “Percebemos que essa família precisava de ajuda, inclusive psicológica. Acionamos o Conselho Tutelar e foi dado encaminhamento legal”, afirmou. A criança foi examinada no Instituto Médico Legal (IML), onde foram constatados sinais de espancamento.

Confira reportagem feita pelo G1 Goiás na íntegra: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/06/10/crianca-de-3-anos-e-encontrada-sozinha-e-com-ferimentos-em-regiao-de-mata-em-goiania.ghtml

Quando a Central de Flagrantes era no 8º Distrito Policial, o agente de polícia Raimundo se deparou com a prisão de um rapaz que roubou carne e bebidas de um supermercado, localizado no setor Pedro Ludovico, em Goiânia. O mais inusitado é que o detido resolveu cantar várias músicas sertanejas frente às câmeras, já que os produtos roubados não seriam mais utilizados no churrasco que ele faria com os amigos.

Confira a reportagem feita pela TV Serra Dourada na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=utX6-aOCDlg

Raimundo Lopes vivenciou diversas outras histórias e casos ao longo de seus 32 anos na Polícia Civil. O agente de Polícia também trabalhou no 2º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia por nove anos e na antiga Delegacia de Tóxico, que hoje é a Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc). Raimundo passou pelo Exército Brasileiro, pela Polícia Militar do Estado de Goiás, foi motorista policial e passou no concurso para agente de Polícia em 1991. O agente, que já foi baleado, destacou que ser policial é a realização de um sonho. “Fazer parte da Polícia Civil é fazer parte de um sonho que realizo todos os dias. Trabalhar para ajudar quem mais precisa, em especial no momento de desespero, é muito gratificante. Ser policial é simplesmente ver seu coração bater mais forte que o necessário em razão de uma justiça”, reforça Raimundo.

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