Onda de violência preocupa policiais civis

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“As polícias não têm recursos para conter a escalada de violência na região metropolitana.” O alerta é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás, Paulo Sérgio de Araújo. Em menos de 24 horas, uma série de assaltos e tentativas de assalto na Região Metropolitana de Goiânia aterrorizaram a população. Alguns dos crimes foram cometidos contra policiais.

Dois desses crimes foram flagrados por câmeras de segurança e ganharam destaque na imprensa goiana neste sábado. O primeiro deles foi um arrastão praticado por quatro criminosos na noite de sexta-feira (18/9) no bar Tapera do Paim, no Jardim Helvécia, em Aparecida de Goiânia.

Na madrugada deste sábado (19/9), um delegado civil reagiu e matou um assaltante e baleou outro no Setor Oeste, em Goiânia. O policial estava em seu carro com a namorada quando foi abordado pelos dois criminosos.

Outros dois crimes praticados contra policiais entre a noite desta sexta-feira e a manhã de sábado ainda estão sendo investigados e carecem de mais informações. Em um deles, um policial da Corregedoria da Polícia Civil foi vítima de uma tentativa de assalto em Goiânia, mas reagiu e conseguiu evitar. Num roubo a residência, no Jardim Petrópolis, também na capital, os assaltantes renderam várias pessoas, entre elas dois policiais militares que tiveram suas armas levadas. Em ambos os casos, os criminosos fugiram.

Um homem de 50 anos foi baleado, na manhã deste sábado no Jardim América, em Goiânia. Segundo o Samu, a vítima foi atingida no rosto.

Segundo Paulo Sérgio, as políticas de segurança do Brasil estão falidas e precisam ser revistas. “A Polícia Civil carece de maior efetivo, estrutura de trabalho e recursos para investigar e colocar os bandidos na cadeia. A PM padece de problemas semelhantes e não pode estar em todas as esquinas das cidades para prevenir esse tipo de crimes”, afirma o presidente do Sinpol.

Por conta da falta de estrutura e de pessoal, existem hoje em Goiás 23.500 inquéritos policiais abertos. E a tendência é que esse número aumente. “Nosso efetivo na Polícia Civil é de cerca de 3.200 policiais para uma população de 6,5 milhões de habitantes, ao passo que em 1998 era de 6 mil, quando aqui viviam em média 4,7 milhões de pessoas. Precisaríamos de cerca de 10 mil policiais para atender à crescente demanda gerada pela escalada da violência, além de melhor estrutura de trabalho”, avalia.

Alerta
O presidente do Sinpol alerta que as séries de crimes como os vistos nas últimas 24 horas podem continuar acontecendo se as demandas das polícias não forem supridas. “A sociedade está exposta a ondas de violência como a que estamos vendo neste momento e, como se vê, nem mesmo os policiais estão livres dessa realidade”, diz Paulo Sérgio.

Pesquisa divulgada no dia 30 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 68,4% dos policiais brasileiros dizem que tiveram colegas assassinados fora do expediente. Para o presidente do Sinpol-GO, esse número é preocupante, principalmente se se levar em conta que é maior do que o número de profissionais que perderam colegas em serviço (60,6%).

A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Teve colega vítima de homicídio fora do serviço: 68,4%
Teve colega vítima de homicídio em serviço: 60,6%

75% das mortes de policiais registradas em 2013 ocorreram fora de serviço (VII Anuário Brasileiro de Segurança Pública)

Foi vítima de assédio moral ou humilhação: 62,8%
Já sofreu acusação injusta de prática de ato ilícito: 36,7%
Diagnosticado com algum distúrbio psicológico: 15,6%
Já passou por dificuldade de garantir o sustento da própria família: 50,4%
Foi discriminado por ser policial: 64,2%
Temor alto ou muito alto de ser assassinado fora de serviço: 68,4%
Temor alto ou muito alto de ser assassinado em serviço: 67,7%

Os itens mais citados como fatores de insegurança na atuação profissional:
Impunidade: 64,5%
Falta de apoio da sociedade: 59,7%
Falta de apoio do comando: 55,1%
Falta de equipamentos pessoais de proteção: 54,5%

Perfil do policial brasileiro:
Homem: 85,1%
Mulher: 14,9%

Faixa etária
18 a 24 anos: 1,6%
25 a 40 anos: 54,8%
41 a 54 anos: 40,1%
55 a 64 anos: 3,3%
65 anos ou mais: 0,2%

Corporação
Polícia Militar: 44,5%
Polícia Civil: 21,2%
Polícia Rodoviária Federal: 5,8%
Polícia Federal: 5,4%
Corpo de Bombeiros: 6,5%
Guarda Municipal: 16,6%

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