Presidente do Sinpol critica salários

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A Polícia Civil do Estado de Goiás divulgará na próxima quinta-feira, dia 22, o edital do concurso público 2016 para provimento de 500 vagas, sendo 220 para escrivão e 280 para agente. FOLHA DIRIGIDA Online conversou com o agente de polícia e presidente do Sindicato dos Policias Civis de Goiás (Sinpol-GO), Paulo Sérgio, que falou sobre a grande evasão de policias civis, as dificuldades acerca dos cortes de benefícios e a redução do salário, que passou a ser de R$1.500 mensais.

Edital no dia 22, para 500 vagas na Civil-GO

 

FOLHA DIRIGIDA – Como está o quadro de efetivo da Polícia Civil?

Paulo Sérgio – Hoje nós temos, devido à grande quantidade de servidores pedindo exoneração, cerca de 3.500 policiais. Isso contando com agentes, escrivães, papiloscopistas e delegados em todo estado de Goiás.

 

O senhor acredita que a abertura de 220 vagas para escrivão e 280 para agente será suficiente para suprir o quadro de funcionários da Polícia Civil?

Não é suficiente, mesmo que essas pessoas se fixassem no emprego. Hoje nós temos um salário base de R$4.068 e mesmo assim a evasão é muito grande, pois existem salários na própria Polícia Civil de outros estados, que são maiores. Então essas pessoas são atraídas, além das outras áreas que também atraem, devido aos salários melhores. Do último concurso para cá, mais de 50% das pessoas que entraram já saíram. Pagando um salário de R$1.500 reais bruto, nós sabemos que muitos que vão passar não ficarão, outros vão assumir mas não ficarão muito tempo. Então, não resolve o problema, na verdade só piora. Se há um descontentamento com esse salário de hoje, imagina com esse salário de R$1.500.

 

O que o senhor tem a falar sobre a criação do cargo de agente de 4ª classe no concurso, cujos salários são de R$1.500?

Na verdade mudou-se a nomenclatura. Agente e escrivão substituto. Primeiro, é uma irresponsabilidade. Como é que você, ao invés de prestigiar o profissional que cuida da segurança, trabalha com zelo, desistimula esse trabalhador? Segundo problema: redução de salário. Isso é inconstitucional. Não pode haver a reduçao de salário e houve. Não há nenhuma criação de vagas para esse cargo de substituto. Tirou-se da 3ª classe, que era o inicial nosso. Nós não podemos aceitar que o governo, no momento em que nós reivindicamos melhorias para a nossa categoria, venha com uma proposta do policial ganhar 1/3 do que ganhava antes. Isso é um absurdo. Nós teremos o pior salário do país, isso desistimula o trabalhador. Nós já não estamos muito estimulados, estamos cansados, trabalhamos demais, estamos estressados. O salário base, hoje, não é o melhor do país e ele ainda diminui para R$1.500. Então nós entramos com uma ação de inconstitucionalidade, no mesmo dia em que a lei foi sancionada. Até agora, infelizmente, não foi julgado o pedido de liminar. Saindo o edital, segundo o cronograma, dia 22, nós iremos também entrar com um mandato de segurança contra o edital, por entendermos que ele agride a legislação. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás está agindo de forma legítima, defendendo os interesses de sua categoria, que em Assembleia decidiu que não aceitaria de forma alguma esse ataque aos nossos direitos trabalhistas. Ao iniciarmos a campanha de valorização do policial civil, mostrando a realidade da segurança pública no estado de Goiás, nós recebemos apoio dos sindicatos de todo o país. Temos esses apoios em forma de ofício, porque é realmente um ato que não só é um desprestígio e o desistímulo ao policial, como também um descaso com a própria população. Infelizmente não consultam os policiais quando vão fazer projetos. Eles fizeram esse projeto sem consultar o policial. Depois vieram com ele pronto para conversar com a gente, sem abrir mão da essência, que é o salário de R$1.500. Então a gente vê que é um projeto feito às pressas, para que o novo secretário de Segurança Pública e vice-governador pudesse “dar uma resposta” aos anseios sociais que pedem mais policiais nas ruas. A população também não foi consultada quando se foi fazer esse projeto. O secretário sempre diz “nós conversamos com os juízes, desembargadores e promotores”. Quem faz Segurança Pública são os os juízes, desembargadores e promotores? Não. Quem faz Segurança Pública são os policiais e quem sofre com a má prestação da Segurança Pública é a população e esses dois não foram ouvidos.

 

O senhor já exerceu algum cargo na Polícia Civil?

Sim. Eu sou agente de polícia. Já trabalhei no distrito de Senador Canedo, no 3° distrito policial de Aparecida de Goiânia, na DEIC – Cartório de antissequestro, na DEIC – cartório de Roubo à residência, e na DEIC – Cartório de fraudes. Eu tenho experiência com segurança pública. Antes de ser policial, fui professor por 13 anos.

 

O Sinpol-GO é responsável pelos servidores da Polícia Civil de todo o estado de Goiás?

O Sinpol-GO representa, praticamente, 70% dos segmentos da Segurança Pública no estado. Dentro da Polícia Civil é o que representa o maior número de categorias. Nós só não representamos os delegados. Os únicos capazes de conversar a respeito das questões de Segurança Pública dentro da Polícia Civil com o governo, representando os trabalhadores, é o Sindepol (sindicato dos delegados) e o Sinpol, que representa muito mais os policias, mas não é ouvido.

 

Quais são os benefícios dados aos servidores?

Nós temos direito a diversos benefícios, inclusive estamos conseguindo fazer jus a eles através da Justiça. Nós temos direito à licença prêmio. A cada cinco anos trabalhados, ganhamos três meses de licença. O servidor pode receber em espécie ou gozar do descanso nesses três meses. Isso é um estímulo para que o trabalhar trabalhe bem, mas não estamos conseguindo receber. O policial civil tinha duas promoções anuais. Temos um número de vagas de promoção e aqueles que estavam na fila para receber a promoção depois de anos de trabalho, ou então por merecimento, tinham duas oportunidades de serem promovidos, agora só temos uma. Além da garantia de emprego, mas até essa estabilidade está sendo colocada em cheque. Outro problema: a aposentadoria especial. O policial tinha a aposentadoria especial devido à periculosidade do seu traballho, que envolve riscos para ser desenvolvido. O governo do estado de Goiás retirou essa aposentadoria especial e outros direitos do trabalhador policial, mas quer que a gente se sinta estimulado a trabalhar.

 

Tem algum outro benefício?

Não. Vou te dizer por que os policias que aqui estão continuam na profissão. Alguns porque já passaram muito tempo na profissão e eles não vão mudar, outros por pura paixão. Ser policial é um ato de amor. Eu era professor e gostava. Quando me tornei policial, percebi que não poderia deixar essa profisão jamais, porque eu adorei, eu amei. O policial sai, vai investigar, vai para operações de madrugada… Houve casos de eu sair de casa e voltar uma semana depois. Com tudo isso a gente continua apaixonado pela profissão. Hoje em dia nós trabalhamos por três, devido ao baixo efetivo. As operações se avolumam e o trabalhador não para de trabalhar.

 

Qual a relação do sindicato com os policiais civis?

Os policiais civis, graças a Deus, nos dão muito apoio. O sindicato tem tido um aumento muito grande de seus sindicalizados. Nós iniciamos a campanha (www.policialcivilvalorizado.com.br) com outdoors e vídeos em redes socias. Lançamos três vídeos publicitários mostrando à sociedade a visão do policial e a visão do bandido e depois passamos a lançar filmes e vídeos mostrando a realidade, contrapondo a realidade à propaganda fantasiosa do governo que não tem resposta efetiva, não cria efetivos, mas cria propaganda iludindo a população. Estamos recebendo um grande feedback da população que está assistindo.

Fonte:  Folha Dirigida

Link para assinantes: http://www.folhadirigida.com.br/fd/Satellite/mobile-concursos/noticias-Goias-2016-3-mil-vagas-2000168746460/Presidente-do-Sinpol-critica-salarios-Edital-nesta-sexta-2000178122400-1400002973221

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