Sinpol Goiás presta homenagem ao dia dos pais e conta três histórias de pais policiais

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Sindicato dos Policiais Civis de Goiás presta homenagem ao dia dos pais mostrando como é a relação do pai policial com o trabalho e a família.

 

O dia dos pais é uma data comemorada todo segundo domingo de agosto em todo o mundo. O ser humano tem reações distintas quando ouve a palavra pai. Uns poucos, menos sensíveis, dão menor importância à figura paterna. Outros, em muito maior número, vão além e consideram o pai um pilar familiar essencial e especial.

Uma das funções mais importantes da sociedade é a de policial, pois é essencial para nós, saber que existe alguém que vai ajudar e proteger o cidadão. Dentro da Policia Civil, são vários, inúmeros homens que são pais e tem diferentes perfis. Tem pai que é jovem, pai que já está aposentado, tem aquele também que é filho de policial. Mesmo sendo tão diferentes, todos eles compartilham os deveres de ser policial e de ser pai.

Para o dia dos pais de 2019, o Sinpol-GO preparou uma reportagem que mostra diferentes perfis do pai policial e como é a relação com a família e o trabalho.

Experiência e sabedoria

Começamos com José Peres de Alcântara, 81 anos policial aposentado. José é bem discreto, foi agente de polícia até se aposentar e é pai de dois filhos que também são policiais civis, além de ter outros familiares policiais. Ele relata como é essa relação com os filhos e com a família e o que buscou ensinar aos filhos sobre o trabalho como policial.

“Tenho dois filhos e alguns sobrinhos policiais, tenho vários parentes na (Polícia) Militar também. Somos muito ligados, muito mesmo. Eu sempre orientei meus filhos a se manter íntegros, o trabalho na polícia não é fácil, tem que ser correto. Se a pessoa falsear um pouco, pode se corromper. Eu trabalhei sempre de maneira correta, não deixei manchas na minha carreira, mas se descuidar pode cair em contradições,” afirma José.

Devido à convivência diária na profissão e por ser rodeado de amigos e familiares que são policiais, José revela outra precaução que procurou ter na orientação aos filhos, o cuidado com o ego. Questionado se teria uma foto para ilustrar a reportagem, preferiu se manter discreto, afirmou não gostar de aparecer e que quase não tira fotos.

“Todos os policiais são bons, mas tem policial as vezes que acha que é muito grande, que está crescendo dentro da sociedade, que cresceu muito sabe?! Eu mesmo nunca gostei de aparecer, acho que a mídia pode ser boa ou ruim. Procurei falar com eles sobre isso, de não achar que são grandes demais, e hoje além de serem policiais, eles já são formados e continuam estudando,” revela.

Trocando fraldas

Já o agente de polícia, Heráclito Ferreira Braga, acabou de ser papai. Ele que já é policial civil há vinte anos, recentemente, há cerca de seis meses, é pai da pequena Aysha. Ele conta que passou momentos de aflição quando Aysha nasceu e contraiu uma bactéria, precisando ficar por quase um mês internada em uma UTI. Apesar do susto, ela já se recuperou e passa bem.

“Foi muito difícil, uma fase meio complicada logo no nascimento dela né!? Foi muito doloroso passar por tudo isso como pai, foi um mês muito turbulento. Eu programei minhas férias para curtir o nascimento dela e acabamos ficando um mês no hospital. Mas que bom que pude estar ao lado dela, agradeço a todos os amigos que mandaram forças, ela já está bem.”

Heráclito revela que o nascimento de Aysha mudou completamente a sua rotina no trabalho. Antes lotado na delegacia de combate a Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente em Luziânia, ele agora trabalha no primeiro DP no Novo Gama, também região do entorno.

Heráclito com sua filha, a pequena Aysha.

“Eu trabalhava em duas delegacias de menores, DPCA e DEPAI, que combatem crimes sexuais contra crianças e adolescentes e a outra com atos infracionais. O nascimento dela mexeu muito comigo, a realidade de trabalho nessas delegacias é muito pesada, com casos de estupros de recém-nascidos, por exemplo. Assim, logo após que ela nasceu eu pedi para ser transferido, mas infelizmente não foi possível. Logo depois houve algumas mudanças e eu fui transferido para o 1º DP de Novo Gama.” revela emocionado.

Antes de sair, no entanto, Heráclito fez questão de concluir todos os inquéritos que estava trabalhando. Motivado pelo nascimento da filha, prendeu mais de 40 acusados de estupro e pedofilia.

“Pensar nela (na filha) me motivou demais, eu investigava casos até no Facebook, realizamos prisões em Caldas Novas, Unaí (MG). O delegado nos deu carta branca para finalizar estes inquéritos, disponibilizou viaturas, acessos a documentos, nos deixou bem a vontade para trabalhar. Todos inquéritos de 2012 a 2018 foram concluídos, casos grandes, de pessoas ricas e influentes, prendemos todos. A juíza Dra. Célia nos ajudou muito, até mesmo de madrugada já cheguei a falar com ela,” conta Heráclito.

Pai herói

Para o agente de polícia Layo Souza Marchesini o exemplo foi seu pai, o ex-delegado de policia Wilton Antônio Marchesini. Desde criança, Layo cresceu acompanhando os passos do pai, crescendo dentro de delegacias e aprendendo a gostar da profissão. Ele conta que sempre quis ser policial civil por causa do pai, que em fevereiro deste ano foi acometido por um câncer e veio a falecer.

“Meu pai foi meu herói, meu ídolo. Foi ele quem me mostrou a parte boa da policia, de ajudar o próximo, de ajudar a sociedade. Ele sempre me apoiou, fiz praticamente um estágio a vida toda com ele. Conheci muitos agentes, escrivães, delegados  quando eu era criança, alguns com os quais hoje tenho o prazer de trabalhar,” explica.

Layo (a direita) com o pai, o ex delegado Wilton Marchesini (ao centro) no dia de sua posse na Polícia Civil.

Mesmo com a perda recente do pai, o primeiro dia dos pais sem a presença do seu, para Layo não é uma data de tristeza. Segundo ele a data é muito especial, pois é dia de lembrar com emoção de todos os bons momentos que passaram juntos.

“O que fica mesmo é a saudade mesmo, tristeza eu não sinto porque sei que ele está em um lugar bom, está na presença de Deus e com certeza ele deve estar trabalhando por lá também, levando alegria a todos que estiverem a sua volta. Fica a saudade, a vontade de dar um abraço, de conversar sobre o trabalho. Ele sempre me apoiou me dava aulas, sei que ele está lá de cima olhando por mim. Eu tive o prazer de tê-lo como pai,” disse Layo emocionado.

Independente do ângulo pelo qual se olhe a figura do pai, a primeira lembrança que nos ocorre é de amor e carinho, amizade, honradez e apoio. A imagem paterna também nos inspira e relembra consideração, apreço e um pouco de rigidez.

É esse o sentimento que toma conta da diretoria e associados do Sinpol-GO, neste domingo, dia 11 de agosto. Um feliz dia dos pais a todos os policiais civis, bem como a todos os pais dos policiais civis de Goiás. Parabéns.

 

SINPOL LIVRE E TRANSPARENTE

 

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