Professora auxilia escrivã a ouvir vítima em libras

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Há 21 anos na Polícia Civil, esse foi um dos atendimentos mais emocionantes para a escrivã Keithe Amorim. Lotada atualmente no Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF/DEIC), ela recebeu hoje, dia 8 de junho (terça-feira) um senhor surdo para registrar uma ocorrência de “saidinha de banco”. “Não é competência do grupo em que estou fazer esse registro, mas eu não podia deixar aquele senhor tão simples sair dali sem o atendimento necessário. Fui na Central ver se alguém falava libras, um plantonista da DEIC também ficou preocupado e aí me lembrei de uma professora da Educação Infantil, de Jataí, que não conheço pessoalmente e tive a coragem de ligar e ela prontamente me atendeu”, conta Keithe.

No dia primeiro de junho, a vítima foi a uma agência da Caixa Econômica Federal na Praça do Trabalhador, no Centro de Goiânia para sacar hum mil e cem reais. Já era quase dez horas da noite quando um homem numa moto vermelha anunciou o assalto. Sem reagir, o auxiliar de produção entregou todo o dinheiro do seguro desemprego. Essa foi a história que o homem contou com a ajuda da professora de libras. “Ele poderia registrar a ocorrência pela delegacia virtual, mas logo eu percebi que era uma pessoa muito humilde”, explica a policial.

Coincidência ou não, hoje é aniversário de Keithe. Mas ela não considera poder ajudar alguém um presente. “Esse não foi um atendimento excepcional. Na verdade, é um atendimento que deveria ser comum, que deveria ser normal não só na Polícia Civil. A gente tem que correr atrás, não desistir, se empenhar, do contrário, que tédio de vida teremos. Obrigada ao Dr. Thiago Martimiano por ter cedido sua sala para fazermos o atendimento, já que precisávamos de um local mais calmo”, finaliza a escrivã.

A professora que ajudou a escrivã a registrar a ocorrência foi Janaína Aparecida Silva, intérprete de libras, e que mora em Jataí, a 320km de Goiânia. Durante a videochamada, ela percebeu que o homem estava muito nervoso. Logo tratou de acalmá-lo e ele conseguiu se expressar melhor e contar o que havia acontecido. Ter passado por uma situação parecida há cerca de dez anos fez com que Janaína se comovesse ainda mais com a situação. Ela foi assaltada quando estava com um grupo de alunos. Em meio à turma, havia um jovem surdo, que não entendeu a situação. Foi Janaína então que explicou o que estava acontecendo.


Professora Janaína em videochamada fazendo a tradução em libras de uma ocorrência

A inclusão no Brasil é recente. A Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002 dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais e foi a partir de então que a Libras passou a ganhar mais visibilidade no país, sendo desenvolvidas diversas ações com o objetivo de torná-la cada vez mais acessível. Para Janaína, “evoluímos, mas há alguns anos tivemos alguns retrocessos. Inclusive a Lei trata da inclusão de intérprete em repartições públicas, mas falta o cumprimento e principalmente a formação de novos profissionais”, conclui a professora.

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