Papiloscopistas e dactiloscopistas completam 85 anos

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A Polícia Civil do Estado de Goiás é uma das poucas, senão a única, que tem duas nomenclaturas para o mesmo cargo, dactiloscopista e papiloscopista, que atuam na identificação humana e que são lembrados neste dia 5 de fevereiro.  São 85 anos desde a criação do cargo de dactiloscopista e 27 anos de papiloscopista, que são o menor efetivo da Polícia Civil.  

Desde então eles têm ganhado mais reconhecimento, por meio da atuação dos policiais na identificação de todos os goianos, seja na emissão de carteiras de identidade, na identificação de cadáveres no Instituto Médico Legal e também na solução de diversos crimes por todo o Estado.   

A diretora do Sinpol Jaqueline Santana Santos, que é papiloscopista da Polícia Civil, explica que essa situação é bastante atípica, e que Goiás é o único estado onde há dois cargos onde os policiais exercem a mesma função, mas com nomenclaturas diferentes.  

“Isso aconteceu porque houve um erro legislativo que resultou na criação de um novo cargo, quando na verdade a intenção era apenas atualizar o primeiro cargo. O primeiro cargo foi de dactiloscopista (1936) e depois foi criado o cargo de papiloscopista (2004)”, explica a diretora. Por isso eles comemoram a data no mesmo dia.   

Houve evolução na área de identificação   

O trabalho desses profissionais tem evoluído muito nos últimos tempos e, no ano de 2017, os papiloscopistas passaram a contar com uma ferramenta muito importante, que ajuda na identificação: o sistema informatizado de impressão digital (Afis).  

A diretora Jaqueline Santana explica que o Afis é um sistema automático de comparação de impressões digitais, que possibilita o confronto de impressões num grande volume, diferente da limitação que havia no passado, quando os policiais faziam as comparações manualmente, com maior demanda de tempo.  

A informatização, inclusive, auxiliou na identificação do autor de um crime passional, que a papiloscopista Bruna Daniella de Souza Silva ajudou a solucionar em 2019, em Goiânia.  

Há nove anos na função a policial acredita que esse foi um dos casos mais emblemáticos, principalmente na sua atuação como papiloscopista, porque os exames papiloscópicos no local da ocorrência apontaram que se tratava de um latrocínio forjado pelo autor do crime e inocentaram um suspeito que estava no local do crime.  

Chegando à residência onde estava o corpo da vítima foi identificado que havia impressões plantares [da sola dos pés] no local do crime. “Estas impressões não eram as mesmas do primeiro suspeito que foi inocentado após a constatação de que as plantares dele não eram as mesmas. Portanto, não era do suspeito, que foi excluído durante as investigações”, explica a papiloscopista.  

Ao mesmo tempo que a polícia fez o levantamento papiloscópico de toda a residência, foi inocentado um homem e também foi possível identificar um real suspeito em menos de 24 horas.  

“Nós apontamos um novo suspeito para o delegado que fez as oitivas e chegou ao real autor do fato, que após as investigações apontaram que o suspeito era um homem que mantinha um caso extraconjugal entre dois parceiros e que o autor teria efetuado o crime após não aceitar o final deste relacionamento”, comenta a policial. 

Identificação facial 

Além da área criminal, diretora Jaqueline Santos pontua que a papiloscopia também avançou em outras áreas, como na identificação facial, onde os policiais podem usar o programa de comparação facial da Polícia Civil de Goiás, conhecido por Harpia, que foi desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com o papiloscopista Jones José da Silva, que foi idealizador do sistema.   

Graças aos avanços, a diretora também explica que no Instituto de Identificação da Polícia Civil também é possível que os policiais produzam os retratos falados dos suspeitos, com projeção de envelhecimento, rejuvenescimento e de disfarce, que são essenciais para a investigação policial e que auxiliam os papiloscopistas no trabalho pelo Estado.  

“É o menor efetivo da polícia, mas o cargo está ampliando muito a sua participação na investigação, principalmente depois da informatização do Sistema, que tornou a pesquisa papiloscópica muito mais eficiente e resultou no aumento da demanda dos policiais”, pontuou a diretora.  

Ao concluir a sua fala sobre os papiloscopistas da Polícia Civil, a diretora comemorou e parabenizou os papiloscopistas e dactiloscopistas pela lembrança da data destes policiais que a cada dia ganham mais importância no complexo trabalho da Polícia Civil. 

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