Sinpol lança segunda etapa de campanha de valorização do policial civil

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O Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO) lança nesta segunda-feira, 13 de junho, a segunda etapa de sua campanha de valorização do policial civil, deflagrada em abril deste ano depois da aprovação, pela Assembleia Legislativa, do projeto de lei do governo do Estado criando a classe de policial civil substituto, com salário de R$ 1,5 mil, o menor do País. Com o slogan “Quando o governo deixa a segurança pública de lado, a vítima principal é você”, a segunda etapa da campanha mostrará a realidade enfrentada no dia a dia pelos policiais civis nas principais cidades do Estado, em contraposição à propaganda oficial, que apresenta uma polícia dos sonhos, valorizada e bem equipada, uma situação, infelizmente, fictícia.

A realização dos vídeos evidenciando a situação de abandono da segurança pública no Estado de Goiás foi definida em assembleia geral da categoria, depois que o governo do Estado descumprir as leis que previam o pagamento de parcela de reajuste salarial, em novembro do ano passado. Para isso, o governo enviou projeto de lei à Assembleia Legislativa, que foi aprovado pelos deputados, causando grande insatisfação entre os policiais civis. Em função disso, houve a operação produtividade zero, que durou 24 horas. Depois disso, o governo chegou a negociar com a categoria, se comprometendo a atender reivindicações, como a aposentadoria especial e a volta das duas promoções anuais, mas nada foi cumprido. O Sinpol vem buscando o diálogo e a negociação com o governo há um ano e meio. Os vídeos serão publicados no hotsite da campanha (www.policialcivilvalorizado.com.br) e nas redes sociais.

Os vídeos da campanha foram produzidos a partir de imagens enviadas pelos próprios policiais civis ao Sinpol mostrando a situação real dos locais onde eles trabalham. Delegacias improvisadas em prédios velhos e sem condições de oferecer um bom atendimento à população, celas superlotadas com policiais em desvio de função, fazendo guarda de presos, cartórios abarrotados e falta de pessoal são alguns dos problemas relatados, sem falar na ameaça à saúde pública presente na grande maioria das delegacias representada por carros apreendidos em operações policiais, que lotam os pátios de delegacias e até ruas vizinhas. Abandonados, eles viram criadouros do mosquito Aedes aegypti, entre outras pragas.

A sobrecarga de trabalho é outro aspecto importante. Para ter uma ideia, no 1º distrito policial de Aparecida de Goiânia, a segunda maior cidade do Estado, um único escrivão tem em suas mãos 3 mil inquéritos policiais. É humanamente impossível dar cabo do trabalho acumulado. Essa situação, aliada à pressão inerente da profissão e à busca por resultados sem contrapartida de estrutura e de contratação de pessoal, tem levado muitos policiais a licenças médicas por doenças diversas relacionadas ao estresse, inclusive Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento total. Enquanto o volume de trabalho dos policiais civis aumentou em mais de 400% nos últimos sete anos, o efetivo de policiais caiu quase pela metade. Hoje são pouco mais de 3,2 mil, incluindo delegados.

As estatísticas do Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP) mostram a situação real. No período de 2009 a 2015 (até o mês de novembro), os dados do SISP mostram um avanço expressivo nas principais modalidades de crimes no Estado de Goiás: os homicídios saltaram de 1.138 para 2.375, com um aumento de 80,19%; os furtos (qualificados e tentados), tiveram um incremento de 166,52%, passando de 2.276 para 6.066; os roubos qualificados saíram de 348, em 2009, para 4.174 nos 11 primeiros meses de 2015, com um aumento assustador, de 1.099,42%.

Em Goiânia, comparando os anos de 2009 e 2015 (computado o mês de dezembro), os homicídios sofreram aumento de 93%, passando de 322 casos em 2009 para 622 em 2015; furtos, de 660 para 2.031, aumento de 207%; roubos qualificados na capital, de 62 para 2.095, aumento de 3.279%. “Os números falam por si sós. Com o sucateamento da Polícia Civil, encarregada da investigação dos crimes, do serviço de Polícia Judiciária, sem investimentos em segurança pública, ao contrário do que diz a propaganda oficial, a violência só cresce”, afirma o presidente do SINPOL, Paulo Sérgio Alves de Araújo.

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