“Meu trabalho tem valor!” A história de Raquel Almeida, policial civil por amor e vocação

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Raquel e sua turma de formação de delegados de polícia.

Poucas são as pessoas que podem dizer que trabalham com o que realmente gostam. Ainda mais trabalhar com a segurança pública no Brasil, em que todos sabem as dificuldades, como a falta de investimentos. Ser um profissional de polícia neste cenário é prova de dedicação e pura paixão!

Este é o caso de Raquel Damasceno de Almeida, de 35 anos, nascida em Goiânia, que é escrivã de Polícia de 2ª classe há cinco anos. Ela conta que sempre sonhou em ser policial: “Já havia tentado vários concursos na carreira policial, tendo sido aprovada em 2009, mas por conta de um acidente veicular, perdi uma das etapas do concurso e não o concluí”, conta Raquel.

No início de sua carreira, ela foi lotada na cidade de Jataí, na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde trabalhou por dois anos e meio. “Foi um lugar de muito aprendizado e desafios, pois fui para um local desconhecido, longe da família, mas foi muito gratificante. Então, desde quando fui nomeada, tento exercer as minhas funções com o máximo de responsabilidade e gratidão”, relembra.

Raquel no trabalho na Delegacia da Mulher

Raquel conta sobre como era o trabalho na delegacia de Jataí: “Lá o serviço se baseava em registro de ocorrências policiais, oitivas e lavraturas de procedimentos flagranciais, e às vezes participava das operações com os demais colegas, pois sempre gostei do serviço de rua.” Em 2017, ela foi transferida para Goiânia, onde também continuou o seu trabalho na Delegacia da Mulher.

“Consegui retornar para Goiânia em 2017, trabalhando ainda na 2ªDEAM, em uma região muito carente, com pessoas muito necessitadas, exercendo atividades parecidas com as de Jataí. Em 2018, passei a trabalhar como plantonista na Central de Flagrantes, onde desde então atuo na lavratura de procedimentos em situação flagrancial, atendendo toda capital”, afirmou.

Raquel e sua equipe em Goiânia

Raquel também fez processo seletivo para ministrar aulas na Escola Superior da Polícia Civil de Goiás, onde ajuda na multiplicação e formação de novos agentes de segurança, e não só da Polícia Civil:

“Na Escola Superior da Polícia Civil, tenho ensinado sobre Sistemas Policiais Informatizados, onde, em parceira com outras escrivãs, ministro aulas no Curso de Formação de agentes, de escrivães e guardas civis metropolitanos, além de cursos de aperfeiçoamentos para outros policiais. Também trabalho no curso de formação de delegados”, destaca.

Raquel afirma que essa experiência tem sido gratificante: “É uma experiência maravilhosa, pois estou tendo a oportunidade de ajudar na qualificação de policiais, trabalhando diretamente com os sistemas da nossa instituição, o que é de suma importância para o bom desempenho policial o que me estimula ainda mais a me dedicar pela instituição, apesar das dificuldades enfrentadas.”

Curso de formação para agentes e escrivães.

Mesmo trabalhando com amor a sua profissão, Raquel sabe das dificuldades que o profissional de segurança pública encontra, principalmente os que trabalham nas ruas, e pede maiores investimentos em infraestrutura e a valorização dos profissionais:

“Gostaria que fôssemos mais valorizados pela instituição, pois realizamos atividades complexas, e a disparidade salarial entre agentes e escrivães com delegados de polícia nos desmotiva muito. Além disso, muitos dos nossos colegas trabalham em delegacias com condições precárias, sem mobília adequada, sem equipamentos. Contamos ainda com a falta de efetivo, o que nos obriga a exercer funções que muitas vezes estão além das nossas atribuições.”

Por fim, Raquel mostra que ama o que faz e mesmo diante das dificuldades, tem muito prazer em na profissão que escolheu: “Apesar de todas as dificuldades, tenho muito orgulho em ser policial civil, em especial de ser escrivã de polícia. Foi a realização de um sonho de criança. Eu espero que a Polícia Civil se torne cada dia mais humanizada e com padrão de atendimento, tornando-se cada vez mais eficaz para a população, que merece um atendimento de qualidade”, finalizou.

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